Leitura da vez | A pergunta de partida (Quivy e Campenhoudt)
Leitura da vez | A pergunta de partida (Quivy e Campenhoudt)
Boa noite, gente!

Bom, estou iniciando o processo de elaboração de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), no curso de Gestão de Políticas Públicas, como os mais próximos já sabem.
Nesse semestre, inicio a sua elaboração, partindo inicialmente de um projeto e de uma pergunta de partida para o desenvolvimento da pesquisa.
Nessa semana, viemos realizando a leitura e estudo do texto de Quivy e Campenhoudt, que trata justamente da elaboração da pergunta de partida. Esse post inicia a sessão de compartilhamento de resumos e fichamentos dos textos que irei trabalhar no processo de elaboração do TCC, que a princípio terá como tema o processo de monitoramento de políticas públicas. Lá vai:
QUIVY, Raymond; CAMPENHOUDT, Luc Van. A pergunta de partida. In: ______. Manual de investigação em ciências sociais. Lisboa: Gradiva, 1998. (Trajetos, 17). p. 29-46.
Os autores tratam da elaboração da pergunta de partida como a primeira etapa (de sete) do procedimento científico. Busca-se com ela dar o primeiro passo nas reflexões sobre o tema abordado, estruturando assim os objetivos e o projeto da pesquisa a ser iniciado.
Destaca-se a importância de pensar na pergunta, considerando o seu caráter provisório (podendo ser modificada e aprimorada no decorrer do trabalho), bem como da não obrigatoriedade em formulá-la apenas quando o pesquisador possuir um grande domínio do tema tratado. Assim, os autores a tratam como um primeiro fio condutor da pesquisa, passível de mudanças e revisões.
Para uma melhor exemplificação das características e princípios que a pergunta de partida deve se alinhar, os autores trazem como exemplo algumas perguntas de partida já construídas previamente. A partir de comentários que evidenciam as falhas que elas possuem, elencam-se as características que as mesmas devem possuir — alinhadas em três exigências básicas: clareza, exequibilidade e pertinência. Elenca-se, a seguir, os princípios e características abordadas:
- A pergunta de trabalho deve ser clara: Clareza e precisão são fundamentais na elaboração da pergunta. Ela deve evitar confusões no entendimento e termos e recortes que possuam significados diversos ou amplos demais;
- A pergunta de partida deve ser realista: Considera-se aqui os recursos pessoais, materiais, técnicos e de tempo para a realização da pesquisa. Deve considerar, assim, a exequibilidade da pesquisa.
- A pergunta de partida não deve ser julgadora: Estabelece-se aqui a diferença existente entre análise e juízo de valor sobre o tema.
- A pergunta de partida deve ser uma pergunta aberta: Trata-se aqui dos casos de parcialidade e tendências de resposta já implícitas em algumas perguntas de partida. Assim, ela deve estar aberta às diversas possibilidades e leituras do fenômeno estudado, não direcionando o andamento da pesquisa a ser realizada.
- A pergunta de partida não deve estudar o que ainda não existe: Trata-se aqui da perspectiva de estudo do futuro e previsões de determinados fenômenos sociais estudados. Esclarece-se a natureza imprevisível das dinâmicas sociais, cabendo aos pesquisadores da área partir de possibilidades e constrangimentos já observados em estudos da área abordada.
- A pergunta de partida visará o melhor conhecimento dos fenômenos estudados, e não apenas a sua descrição: Deve-se evitar a simples descrição como finalidade da investigação social. Busca-se assim analisar os diversos aspectos conceituais inerentes à área estudada, contribuindo de maneira mais efetiva na compreensão e evolução do saber.
A leitura do texto possibilita desmontar o “bicho de sete cabeças” que às vezes fazemos do pensamento científico e da metodologia de pesquisa. Os princípios elencados pelo autor se alinham perfeitamente à racionalidade e sistematização inerentes à construção do saber científico. Recomendo a leitura! =]
Até a próxima!
Post publicado originalmente no blog E as Novas?, em 24/08/2014.