Seminário de Políticas e Práticas Culturais | UFPB
Seminário de Políticas e Práticas Culturais | UFPB
Olá, gente! Como estamos?
Bom, entre os dias 20 e 21 de agosto de 2014, estive em João Pessoa/PB, para participar do Seminário de Políticas e Práticas Culturais, promovido pelo grupo de pesquisa “Da informação ao conhecimento”, do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). O evento contou com a participação e partilha de conhecimento de grandes nomes da Ciência da Informação, organizando-se em um momento inicial de conferência e mesas redondas, nas quais foram provocadas momentos de discussão com os seguintes temas: “Heterogeneidade e multiplicidade expressas nas relações info-culturais”, “Práticas info-culturais”, “Políticas culturais”, “Práticas culturais na cidade de João Pessoa” e “Interveniências da informação e da tecnologia para a produção e consumo de bens culturais”. Como temática introdutória, a conferência de abertura dada pelo Prof. Dr. Fernando Abath Cananéa trata do tema “Práxis cultural” — Brilhante!

Pois bem. Muitas foram as questões e reflexões abordadas durante o evento. Procurei elencar algumas questões recorrentes nas falas dos expositores, tentando esquematizar aspectos a serem considerados no estudo das políticas públicas culturais — tema pelo qual tenho maior interesse. De todos, trago cinco tópicos que mais me chamaram atenção, de forma bem genérica (tarefa nada fácil, dada a densidade e complexidade de algumas delas rsrs). Vamos:
- Pluralidade conceitual e subjetividade do termo “cultura”, bem como pluralidade também do termo “política pública” — Detecta-se certa dificuldade no estabelecimento fixo dos conceitos elencados, uma vez que adquirem significados distintos a depender da ótica ou área de estudo sob a qual se analisa. No entanto, faz-se conveniente a adoção de algum parâmetro conceitual para um ponto de partida na compreensão do que é abarcado pela cultura e, consequentemente, o que deve levar em conta as políticas culturais;
- Caráter coletivo do termo cultura — Trata-se aqui de uma concepção mais subjetiva do termo, considerando tanto o seu caráter de construção coletiva e diretamente relacionada à construção da identidade de um recorte adotado, como a interferência do comportamento do indivíduo nessa construção, algo que se aproximaria da ideia de práxis cultural — trazida pelo prof. Fernando Cananéa.
- Necessidade de participação de toda a sociedade no desenho e concepção das políticas culturais — Considera-se aqui o caráter verticalizado que normalmente caracteriza o desenho e implementação das políticas culturais no país, não se tornando raro o descompasso e execução comprometida, dada as diversas realidades e contextos sociais e culturais do Brasil.
- Uso dos recursos e instrumentos tecnológicos na disseminação da informação e acesso às experiências e práticas culturais — Parte-se do contexto dos intensos avanços tecnológicos que marcam a sociedade atual, visando explorar tais ferramentas como potenciais facilitadores de acesso, disseminação e democratização da cultura e informação;
- Necessidade de repensar a configuração, atuação e parcerias dos atores sociais no campo das políticas culturais — Destacam-se aqui as reflexões inerentes à atuação do Estado e atores de outras naturezas — privada, principalmente.
O encontro possibilitou ainda o levantamento de outras tantas questões, não menos importantes e relevantes para a área. Trouxe aqui aquelas que mais me provocaram, em particular. =]
Torço para que o evento ganhe espaço na agenda fixa do grupo acadêmico, e que passe a contar ainda com a participação de outros tantos atores culturais. Discussões e reflexões nessa área são fundamentais neste momento, em que crescem as vozes que visualizam a necessidade do estabelecimento da política cultural como política de Estado, de caráter permanente e que valorize as diversas expressões e formas de vida presentes no país.
E qualquer coisa, dá uma olhada na home do grupo de pesquisa: http://dainformacaoaoconhecimento.blogspot.com.br/
Até a próxima!
Post publicado originalmente no blog E as Novas?, em 24/08/2014.